Você conhece a história dos jardins verticais?

No final da década de 80 o botânico francês Patrick Blanc já estava construindo seus primeiros jardins verticais: a partir de estruturas com base impermeável fixadas à certa  distância da edificação de modo a não oferecer nenhum risco de infiltração, com camadas de tecido sintético de alta densidade, sempre encharcados por água e nutrientes por um sistema cíclico de irrigação por gotejamento, o que mantém a vegetação estruturada e nutrida não sendo necessário um consumo substancial de água.

Essa técnica foi disseminada e hoje é utilizada em diversos lugares do mundo, por não oferecer risco de infiltração e também por ser bastante leve para as edificações, uma vez que seu peso final é de aproximadamente 50 kg por m2 já incluindo a irrigação e espécies vegetais. O sistema também conta, quando possível, com reuso de águas pluviais para seu abastecimento. O Movimento 90° adaptou essa técnica a partir de materiais recicláveis de

baixo custo e formas diferentes de fixação que possibilitassem que os Jardins Verticais pudessem tomar as paredes das cidades atingindo a escala urbana o que nós chamamos de Parques Verticais, por serem jardins verticais de grande escala voltados para a paisagem urbana.

O método se mostrou bastante adequado ao meio urbano, onde usualmente falta espaços para novos parques e praças e sobram muros e paredes, em especial nas áreas centrais das metrópoles. O conceito central de um jardim vertical é conseguir mimetizar o que acontece em superfícies verticais de pedras e troncos para as paredes. Assim, na cidade contemporânea, o jardim vertical surge como uma solução arquitetônica e paisagística. Da mesma maneira das áreas verdes horizontais no meio de uma cidade, o jardim vertical provou ser eficiente no controle de alguns dos mais graves problemas ambientais urbanos, como aquecimento, umidade, barulho e poluição do ar. O procedimento criado por Blanc também provou, ao longo dos anos, não trazer problemas higiênicos, nem grandes demandas de manutenção, e por esse motivo também foi considerado nossa referência.

Com a idealização do Movimento 90° de criar o primeiro corredor verde verticalizado do mundo por meio de paredes verticais, o Corredor Verde do Minhocão em 2013, surgiu a questão de como torná-lo exequível, dados os custos de implementação e manutenção envolvidos. Um primeiro jardim piloto, financiado pela Absolut Vodka no final daquele ano, trouxe visibilidade, assim como um manifesto publicado propondo a construção de jardins (ou parques, quando em escala urbana) verticais como uma eficiente solução urbanística para a falta de áreas verdes na cidade de São Paulo.