Tetos verdes para cidades melhores

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A verticalização das cidades já é um fenômeno irreversível. Atualmente, um em cada três moradores de São Paulo tem domicílio nos 53 mil prédios da cidade. Se o adensamento é necessário para concentrar a população nos centros urbanos, faltam espaços para o verde e sobram problemas de conforto ambiental para as residências. Há falta de espaço, muito barulho e temperaturas elevadas.

Se as cidades estão fazendo pouco pelo verde, chegou o momento de nos perguntarmos o que os edifícios podem fazer por nós: tetos verdes podem colaborar com melhorias a um custo mínimo.

Stuttgart, Paris, Toronto e Copenhague estão entre as cidades que enxergaram na solução de coberturas verdes uma saída para trazer mais natureza para os centros urbanos. Uma combinação de políticas públicas, incentivos fiscais e regulações tornaram os tetos dessas cidades mais sustentáveis combinando benefícios para a sua população e para os locais onde são instalados.

Com o pré-requisito básico de uma superfície impermeável, tetos verdes são autônomos e extremamente simples. A primeira camada leva uma manta geodrenante, a segunda o mínimo de 3 cm de terra, e a terceira espécies adequadas para a insolação do local. Os custos dessas etapas são inicialmente mais altos que o de uma cobertura convencional -- cerca de o dobro --, mas no longo prazo compensam com os ganhos ambientais e baixa manutenção. Enquanto um teto convencional deve ser trocado em 15 anos, o teto verde tem vida útil de 50.

Tetos verdes também ajudam na captura de poluentes utilizando nitrogênio da cidade para o crescimento das plantas, e incentivam a fauna de pássaros e insetos que polinizam em suas plantas. Além disso, cidades que sofrem com alagamentos e saturação do sistema hídrico se beneficiam da água retida pelo seu sistema. Em Nova York, por exemplo, uma estimativa mostrou que a construção de 9 milhões de m² de tetos verdes poderiam reduzir 3 bilhões de litros de água excedente nas enchentes.  

Em São Paulo, o projeto pioneiro do Movimento 90° irá começar por cobrir as guaritas com tetos verdes. Presente em cerca de 80% dos prédios paulistanos, elas têm potencial de trazer cerca de 200 mil m² de novas áreas verdes para a cidade com investimento baixo e alto impacto para moradores e funcionários. Esse será o primeiro passo para familiarizar o paulistano com a tecnologia, demonstrando a facilidade de instalação e manutenção.

Não falta cinza na cidade para receber coberturas verdes e beneficiar-se de todos os efeitos positivos dessa iniciativa simples e de alto impacto.

Bibliografia:

https://e360.yale.edu/features/green_roofs_are_starting_to_sprout_in_american_cities

https://greenroofs.org/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2212609014000211

https://academic.oup.com/bioscience/article/57/10/823/232363

https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1744259111420076


Movimento90º